3 de outubro de 2007

Reaproximação entre Brasil e Venezuela


O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou sábado passado, em Caracas, que o governo brasileiro está confiante de que a Venezuela ingressará no Mercosul.


Amorim destacou que o atraso na votação do protocolo de adesão “preocupa”. O Congresso é soberano para decidir, mas qualquer atraso é preocupante, declarou. A afirmação de Amorim foi feita logo após haver estado com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. O encontro ocorreu poucos dias depois da Comissão de Relações Exteriores da Câmara ter adiado para 24 de outubro a votação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul.


A decisão dos deputados, tanto do governo quanto da oposição, teria sido motivada pelas violentas e reiteradas críticas de Chávez ao Congresso brasileiro, a quem acusa de submissão aos interesses norte-americanos. A viagem de Amorim visa uma reaproximação entre Lula e Chávez, após período de desentendimentos por conta do desagrado causado pela influência negativa de Chávez na relação entre Brasil e Bolívia e pelas críticas do coronel à política do etanol.


A visita de Amorim é, sem dúvida, um gesto respaldado pela relevância do comércio bilateral. De janeiro a julho de 2007, as exportações brasileiras para a Venezuela somaram US$ 2,4 bilhões, enquanto as exportações da Venezuela para o Brasil não superaram os US$ 215 milhões. Amorim disse ainda que até o fim deste ano as exportações devem alcançar US$ 4 bilhões. “A Venezuela é um parceiro importantíssimo, mais importante que a Inglaterra, Itália ou França”, afirmou o chanceler.


Por causa desses dólares, o Brasil está engolindo os desaforos de Chávez, que parece pouco interessado em entrar no Mercosul. Bastaria um pedido de desculpas ao Congresso para melhorar o ambiente e apressar a votação. No entanto, a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul é um problema do Brasil e do Paraguai. Ou seja, não há porque Chávez desculpar-se.
Diante desse quadro confuso no Congresso, a ratificação da entrada da Venezuela no Mercosul pode demorar mais um pouco. No momento não há clima para uma aprovação tranqüila. E, dependendo dos humores da imprensa em relação ao tema, o debate ainda pode esquentar.


(Equipe Arko América Latina - americalatina@arkoadvice.com.br)

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