26 de dezembro de 2006

Entrevista Exclusiva com ex-Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia

Por meio do serviço Arko América Latina, elaboramos uma entrevista com o embaixador e ex-Ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia sobre a conjuntura latino-americana e a inserção do Brasil.

A seguir a primeira parte (de três) da entrevista exclusiva:


AAL: Senhor Ministro, no Brasil, um dos grandes problemas da política externa é a falta de continuidade, indicando que não há um rumo claro.
Como o senhor avalia a formulação da política externa brasileira atual?

Lampréia: A formulação da atual política externa tem alguns aspectos positivos Existe continuidade na ênfase às relações com os países da América do Sul, na prioridade à OMC ,na busca de um bom relacionamento com os Estados Unidos.Há porém aspectos negativos como uma prioridade excessiva na obtenção de uma cadeira permanente do Conselho de Segurança da ONU,a insistência numa visão terceiro-mundista superada e uma certa precipitação em disputar cargos internacionais sem chances claras de sucesso.

AAL: Quais são as alterações institucionais que deveriam ser realizadas para que pudéssemos ter uma continuidade na nossa política externa, ao ponto de garantir ao país à defesa de seus interesses, bem como coerência entre objetivos e passos estratégicos que devem ser dados?

Lampréia: Não creio que haja necessidade de alterações institucionais para bem defender os interesses nacionais.Nossa atuação diplomática tem uma tradição bicentenária ,de grande consistência nesse sentido.O que por vezes falta é a vontade política de fazê-lo.

AAL: Senhor Ministro, certa vez o senhor afirmou que haveria duas possibilidades para o Brasil em um período de vinte e cinco anos: consolidação do posicionamento brasileiro como “potência média”(intensa presença regional , mas sem poderio estratégico e capacidade de influência global); ou estagnação. Que passos devem ser dados para garantir que o Brasil se consolide como uma das potências que poderão
participar da articulação do sistema internacional que regulará o sistema internacional no século XXI?

Lampréia: O Brasil precisa superar seu maior problema ,que é a desigualdade social.Se conseguirmos ultrapassar este fosso que divide a população brasileira e se formos capazes de gerar crescimento econômico a níveis mais elevados , temos escala , prestígio e um histórico de contribuições internacionais positivas para sermos convidados a participar dos mais importantes círculos de decisão mundial.

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