Desde o governo de Ernesto Samper (1994-1998) que o Congresso colombiano adotou uma postura de “não colaboração” com o Executivo.
Tivemos ao longo desses anos várias situações nas quais o Congresso apoiou medidas e projetos enviados pelo Executivo, além de aprovar pontos importantes para o desenvolvimento do país.
O que ocorre na Colômbia não é muito diferente do que ocorre em outros países latino-americanos. A situação histórica do bipartidarismo, dividido entre o Partido Liberal e o Partido Conservador, impossibilitou o surgimento de novas forças partidárias no país.
Recentemente, o Pólo Democrático Independente (PDI) ensaiou ocupar o lugar de uma terceira força na Colômbia, no entanto, ainda é muito cedo para destacar sua real importância no cenário político colombiano.
O Congresso colombiano age de forma extremamente clientelista desde a Assembléia Constituinte de 1991. Na ocasião, o grande debate girava em torno do estrutura interna dos partidos políticos, se eram democráticas ou não, e como eram percebidos pelo Executivo, pelo Judiciário e, principalmente, pela sociedade.
Apesar de várias propostas para democratizá-los, o que foi realmente aprovado foi à manutenção dos dois grandes partidos do país (PC e PL) que ficaram totalmente livres de controle público para as práticas eleitorais.
O resultado foi à perda da identidade ideológica e o surgimento do personalismo. Esses partidos se tornaram cada vez mais caixas que abrigam políticos, os quais são maiores que a própria organização.
O que se seguiu foi a mudança de um Congresso dividido ideologicamente entre Liberais e Conservadores, para um clientelismo exclusivo entre o Executivo e políticos.
Nos olhos da população, a diferença entre Liberais e Conservadores saiu da diferença que havia entre ideologias e propostas, para se concentrar somente na composição do quadro político de cada um. Sendo que, muitas vezes, os políticos trocavam de partidos várias vezes em sua carreira.
Nesse quadro, é interessante entender como Álvaro Uribe consegue manter uma boa governabilidade do país e aprovar reformas essenciais para o desenvolvimento econômico e social.
Primeiramente, o apoio popular de Uribe inibe uma postura radical contrária da oposição dos Liberais.
Segundo, o país, finalmente, se uniu em torno de um objetivo muito claro: combater a guerrilha. Se em pontos econômicos e políticos os Liberais discordam de Uribe, na área da segurança, o apoio é irrestrito. Vale lembrar que o seu antecessor, o ex-presidente Andrés Pastrana, foi rotulado pela população como um fracassado no combate aos guerrilheiros.
Terceiro, Uribe foi muito inteligente em vincular vários atos de combate à violência com desenvolvimento da infra-estrutura na Colômbia. Por exemplo, para combater o alto índice de seqüestros em Bogotá, optou por reformar e transformar áreas tidas como perigosas em áreas de lazer, com boa iluminação e com bom convívio social.
Com os bons resultados provenientes das ações do presidente, a oposição não consegue vincular uma imagem negativa ao seu governo. A população, vendo a melhoria, ignora as afirmações dos Liberais de que certas medidas não são corretas, assim como ignora as acusações de corrupção no Executivo.
É importante ressaltar que, apesar do Partido Conservador do presidente Uribe ser maioria no Congresso, ele é dividido em várias facções que requerem uma constante negociação com a presidência.
Nesse ponto é possível verificar que o Congresso não o apóia baseado em convicções, mas, sim, em trocas de cargos divididos igualmente entre essas facções, gerando o aumento de verbas para parlamentares gastarem em suas residências eleitorais, dentre outras coisas.
A virtude do atual presidente foi se tornar confiável dentro do Partido Conservador, atendendo às necessidades de todos os grupos que o compõem.
Em relação aos Liberais, eles estarão sob controle enquanto a opinião pública estiver favorável. Qualquer queda seqüencial poderá abrir margem para acender o pavio e prejudicar o restante do mandato.
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