O ano de 2007 começará com grandes e importantes novidades na Colômbia. O crescimento do PIB de 7,7% demonstra que o planejamento econômico do presidente Álvaro Uribe vem funcionando como o esperado.
A Reforma do Imposto de Renda, que visa diminuir o valor dos tributos e manter em 15,8% a participação dos impostos na composição do PIB do país, deverá ser aprovada pelo Congresso já no início do ano.
A capacidade do governo em aumentar a coleta de impostos durante 2006, oferece uma margem para o Congresso diminuir a carga tributária no país. Logo, com a menor inadimplência, a receita aumentará sem o esperado aumento nos impostos.
Além do espetacular crescimento de 7,7%, vários outros indicadores da economia colombiana são positivos. As exportações do país aumentaram 10,5% no semestre em comparação com o mesmo semestre do ano passado e os investimentos aumentaram em 25%.
O crescimento do PIB por setores (aresentado por semestre em relação ao mesmo semestre do ano passado):
Agricultura: 5.93%
Mineração: 3.28%
Eletricidade, gás e água: 3.51%
Manufaturados: 13.30%
Construção: 18.96%
Comércio: 11.53%
Transportes: 7.52%
Serviços Financeiros: 2.40%
Serviços Sociais: 1.49%
Fonte: Econcept
No campo político, algumas decisões surpreendentes de Uribe poderão gerar um efeito dominó. A decisão de convidar o ex-presidente da República, César Gaviria para uma série de reuniões sugere um possível convite ao Partido Liberal, do qual Gaviria é o presidente, para se juntar à coalizão uribista. A escolha é difícil para os liberais. Se por um lado eles voltam a ter um papel de importância no governo, por outro eles se enfraquecem para enfrentar o sucessor de Uribe (ainda não definido) em 2010.
A escolha de participar da coalizão é a mais sensata já que o único argumento de Gaviria contra o governo de Uribe é a crítica na estratégia tomada contra os paramilitares. No entanto, Gaviria é o presidente mais criticado na história recente colombiana justamente pelo seu tratamento aos paramilitares. Caso a coalizão se formalize, Uribe praticamente garante a maioria do Congresso ao seu lado e poderá governar com mais tranqüilidade.
O julgamento de cinqüenta líderes paramilitares é outro tema de preocupação para o governo. Nunca na Colômbia, tantos líderes paramilitares foram julgados ao mesmo tempo. O temor de uma forte represália é grande. O senador Gustavo Petro, forte opositor de Uribe, alertou o presidente sobre os riscos de atentados que este poderá sofrer com as seqüências dos julgamentos.
O enfraquecimento dos paramilitares já é visível no país. Os julgamentos geraram um fato curioso entre a população. Vários cidadãos, voluntariamente, estão afirmando que em algum momento de suas vidas colaboraram financeiramente com os paramilitares.
O gesto, representa não só um arrependimento, mas uma demonstração de apoio à política adotada pelo governo. A quantidade de confessos é tão grande, que a Justiça do país não terá como punir tantas pessoas. No entanto, é visível que cada vez mais a população sente os efeitos positivos das ações do governo contra o terrorismo.
Para 2007, deveremos ter nossas atenções em alguns pontos específicos da política colombiana. São temas que se, devidamente acompanhados, nos permitirá avaliar melhor como o país se comporta.
A negociação com os paramilitares é de grande importância. A sensação que o governo transmite à população durante as negociações é vital para medir o nível de apoio do povo à Uribe. Caso avance positivamente, Uribe se fortalece sobremaneira.
A identificação dos congressistas investigados pela Suprema Corte por ligações com os paramilitares também será decisivo para a estabilidade do governo. Caso a maioria dos congressistas sejam uribistas, a oposição terá grandes argumentos contra a legitimidade da luta contra os paramilitares. Caso a maioria seja da oposição, Uribe ganhará mais respaldo político e capacidade de barganha com oposicionistas.
Adiante, as eleições provinciais e municipais serão uma espécie de termômetro que Uribe precisa ter. A reação popular sobre suas medidas econômicas, bem como sobre as medidas para a segurança pública serão refletidas nessas eleições.
Com relação ao comércio exterior será necessário observar a finalização do Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos. Apesar de ainda faltar a ratificação do Congresso norte-americano e da Suprema Corte colombiana, o TLC está praticamente fechado.
O lado ruim vem da Venezuela. Como forma de “retaliação” contra o TLC com os EUA, Hugo Chávez poderá aumentar a tarifa de algumas exportações colombianas no país. A Colômbia é um dos maiores exportadores para a Venezuela, principalmente de manufaturados.
As relações com o Equador também merecem uma cuidadosa atenção no começo de 2007. Historicamente, os países cultivaram uma boa relação. Com a vitória de Rafael Correa no Equador, a Colômbia poderá se ver “cercada” de países hostis à sua política de aproximação com os EUA.
As recentes fumigações colombianas na fronteira com o Equador ajudaram a azedar as relações entre Uribe e Correa. Teme-se que a fronteira entre os dois países se torne um santuário para paramilitares colombianos.
Apesar de tantas preocupações, as perspectivas de 2007 para o país são boas. Mantendo os investimentos na segurança pública e na batalha contra o terrorismo/narcotráfico a Colômbia se torna cada vez mais um país atraente para investimentos externos.
A estabilidade da economia, aliada ao seu forte crescimento continuará trazendo ao país empresas estrangeiras que tradicionalmente se instalariam no Brasil.
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