
Publicada originalmente no dia 09/02/07 pela Agência Estado de S. Paulo
Entrevista feita por Thiago de Aragão
Em entrevista exclusiva, o senador Cristovam Buarque aponta os erros e acertos da política externa de Lula e comenta sobre alguns dos principais temas da política latino-americana.
Pergunta 1 - Arko América Latina: Senador, quais foram os principais erros e os principais acertos da política externa de Lula?
Resposta 1 - Cristovam Buarque: A política externa de Lula acertou muito. Mais do que errou. No entanto, sua diplomacia foi equivocada. A política externa indica um rumo e esse rumo é claro. Podem concordar ou não, mas ele tem uma proposta. A diplomacia indica um estilo, e esse foi o principal erro. Lula quis assumir um papel grande demais como líder continental. O líder deve ser o primeiro, mas se portando como o segundo ou o terceiro, para não causar ciúmes. Houve certa arrogância no comportamento de nossa política externa.
P2 - AAL: Como o senhor avalia o comportamento do governo frente à crise boliviana?
R2 - CB: O grande erro foi o Brasil ter sido surpreendido pela ação boliviana. Porém, acredito que o Celso Amorim teve o bom senso de manter-se frio diante da situação. O problema foi entre a Petrobrás e a Bolívia, não entre Brasil e Bolívia. A relação país-país deve ser muito mais cuidadosa.
P3 - AAL: Como o senhor avalia a crise boliviana?
R3 - CB: No caso de uma guerra civil, o país ficará dividido entre pacenhos (habitantes da região de La Paz) e crucenhos (habitantes da região de Santa Cruz de la Sierra). Há uma miopia nos meios empresariais e nos formadores de opinião de que, no caso de uma secessão, a região de Santa Cruz (rica em gás) ficaria mais próxima do Brasil. Isso não é verdade. Eles ficariam imediatamente próximos dos norte-americanos. A possibilidade de uma guerra civil na Bolívia é o problema mais grave que o Brasil pode enfrentar nos próximos anos.
Pergunta 4 – Arko América Latina: O Brasil esquivou-se do problema entre Uruguai e Argentina (referente às fábricas de celulose) e do problema diplomático entre Colômbia e Venezuela (há cerca de dois anos). Foi a melhor decisão?
Resposta 4 – Cristovam Buarque: O governo do presidente Lula foge na hora de enfrentar os problemas. Lula adora fazer gols, mas não gosta de jogar como goleiro de vez em quando.
P5 - AAL: Como o Brasil deve reagir frente ao crescimento armamentista venezuelano?
R5 - CB: A Venezuela tem todo o direito de se armar. A justificativa deles (proteger-se de uma possível invasão americana) pode não ser correta ou real, mas é justa. Eles fazem o que quiserem. Porém, o Brasil também deve se armar. Essa postura de que somos todos irmãos, é balela. Somos, no máximo, primos e os maiores conflitos da humanidade foram entre primos.
P6 - AAL: O senhor acredita que este governo se distanciou dos EUA e da Europa?
R6 - CB: Não concordo que houve um distanciamento. O que não houve foi aproximação. As relações são as mesmas do governo anterior, mas a aproximação com outros países causa a sensação de que houve um distanciamento, tantos dos EUA, como da Europa.
P7 - AAL: Como o senhor vê o futuro do Mercosul?
R7 - CB: O Brasil não tem saída a não ser fortalecer o Mercosul, que é parte intrínseca da globalização. Apesar de várias crises e atos de rebeldia de membros menores (Paraguai e Uruguai), o Brasil é mais forte com o bloco do que sozinho.
6 comentários:
Prezado Thiago,
Primeiramente, meus parabéns pela iniciativa, tanto do blog como da entrevista. Como o senador é membro da CRE do Senado, é importante considerarmos seus posicionamentos acerca da Política Externa. Apesar de não ser entusiasta da atual PE, devo discordar de algumas declarações feitas na entrevista. Um líder, até mesmo por questões estratégicas, não precisa se comportar como "segundo" ou "terceiro". Ao contrário, deve colocar-se com guia e conciliador, afimd e obter o respeito dos demais. No que concerne às relações com UE e EUA, sem dúvida observou-se um afastamento. Haja vista o negligenciamento da ALCA e o estacionamento das negociações de um acordo de livre comércio com a UE. As relações com estes países não foi encerrada, mas observa-se uma tendência às anexações Sul-sul, uma vez que não podemos considerar as adesões de Bolívia e Venezuela sinais de aprofundamento do Bloco. Semelhante resposta foi dada pelo Embaixador Roberto Abdenur ao senador Cristovam, durante audiência de terça-feira na CRE, ao questionar se as relações com os EUA eram de "trombamento" ou "atrelamento". No mais, parabenizo-lhe novamente pela iniciativa e espero que novos questionamentos sejam suscitados.
Att,
Sophia,
Muito obrigado pelo excelente e pertinente comentário. Concordo com suas colocações. Buscarei realizar mais entrevistas que contribuam para comentários como o seu. Se sinta à vontade para comentar sempre em meu blog.
Abraço,
Thiago de Aragão
Sophia,
Muito obrigado pelo excelente e pertinente comentário. Concordo com suas colocações. Buscarei realizar mais entrevistas que contribuam para comentários como o seu. Se sinta à vontade para comentar sempre em meu blog.
Abraço,
Thiago de Aragão
Sophia,
Muito obrigado pelo excelente e pertinente comentário. Concordo com suas colocações. Buscarei realizar mais entrevistas que contribuam para comentários como o seu. Se sinta à vontade para comentar sempre em meu blog.
Abraço,
Thiago de Aragão
Sophia,
Muito obrigado pelo excelente e pertinente comentário. Concordo com suas colocações. Buscarei realizar mais entrevistas que contribuam para comentários como o seu. Se sinta à vontade para comentar sempre em meu blog.
Abraço,
Thiago de Aragão
necessario verificar:)
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