
A empresa estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, encontra-se em uma situação delicada. Tida como a principal fonte de recursos do presidente Hugo Chávez, está vivendo uma crise que somente altos investimentos poderão recuperá-la.
Desde que Hugo Chávez assumiu o governo venezuelano (1999), a PDVSA se tornou a principal fonte de renda para a aplicação de sua política doméstica e externa.
Com a alta no preço do barril de petróleo, decorrente da crise no Oriente Médio, a verba do petróleo dobrou.
Numa estratégia inteligente, Chávez investiu um montante deste valor na própria empresa. Entre 2002 e 2003, a PDVSA produzia algo em torno de 3 milhões de barris/dia (mdb).
Para poder sustentar sua projeção de poder na América Latina, utilizou grande parte da renda proveniente da PDVSA em outros projetos.
Mas, contando com técnicos inexperientes, infra-estrutura frágil e falta de recursos, a empresa não conseguiu entregar a Chávez os dividendos esperados. Em 2006, fechou o ano com um déficit de 5,3 bilhões de dólares.
Para quem chegou a produzir 3 mdb entre 2002 e 2003 e agora vive com a expectativa de produzir apenas 1,5 mdb em 2007.
Percebe-se que a PDVSA é a representação do que poderá se tornar o governo de Hugo Chávez nos próximos anos.
Os poços da parte ocidental do país estão em profundo declínio. Cerca de 20 mil estão em manutenção e somente 14 mil funcinam normalmente. Daqueles que estão em funcionamento, 90% necessitam de injeções de água e gás para manter a pressão necessária e garantir a produção.
Hoje, há uma perda permanente de 400 mil barris na capacidade produtiva da empresa. A PDVSA necessita, urgentemente, de investimentos do Estado.
Estima-se que, para manter-se no estado atual, seriam necessários 2 bilhões de dólares. Para voltar ao patamar de 2002, o montate imediato seria de 4 bilhões de dólares.
Vivendo uma crise de abastecimento alimentício, Chávez continua tirando dinheiro da PDVSA, ao invés de investir em sua galinha dos ovos de ouro. Por isso, a empresa é refém financeira da política populista e perdulária do presidente.
Mesmo assim, com toda a decadência que vem sofrendo, Chávez anuncia que pretende aumentar a produção de petróleo até 2012 para 5,8 mbd. Algo improvável, se levarmos em conta a atual situação. Nos anos 90, investidores privados representavam 30% dos investimentos que eram feitos. Devido à insegurança jurídica que esses investidores encontram hoje, os investimentos são cada vez menores.
O governo, ao invés de cobrir essa renda que deixou de vir, optou por tomar mais dinheiro e ceder de cortesia parte da produção para outros países.
Cuba recebe diariamente 100 mil barris, a Jamaica, 20 mil barrris, e os países caribenhos recebem mais 72 mil.
Os Estados Unidos, que representam 60% de toda a importação de petróleo venezuelano ameaçam cortar a compra.
É óbvia a busca de Chávez por novos compradores para suprir essa demanda. No entanto, a China, principal cliente preferencial na possível substituição dos americanos, não parece muito disposta a assumir uma fatia tão grande do mercado.
Chávez poderá ter graves problemas financeiros nos próximos anos. Alternativas estão sendo estudadas. O venezuelano entende que pode ser o "gestor" do gás boliviano e, assim, poderá garantir boa parte da renda para ele, da mesma forma que a entrada do país no Mercosul poderá garantir clientes com obrigações de comprar seus produtos.
Um comentário:
Parabéns pelo Blog!
Material de excelente qualidade..
André Litt
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