
O Presidente venezuelano Hugo Chávez encara diversos tipos de dificuldades para unificar os partidos aliados e formar o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela).
Além da eliminação de siglas tradicionais da política venezuelana, tais como o Podemos, Pátria para Todos e Partido Comunista Venezuelano, seus próprios seguidores e aliados estão incomodados com a concentração de poder que o presidente terá.
A intenção de Chávez é se aproximar do modelo bipartidário como transição para o modelo de partido único.
Essa formatação ainda possibilitará que o controle político de bastidores continue vinculado ao Presidente. No entanto, também aumentará as divisões internas e os impasses sobre temas fundamentais. Assim, nos bastidores do poder as divergências tenderão a se apresentar como conspirações e levantes secretos.
Chávez deverá desenvolver um mecanismo de controle de informações dos que entrarem e saírem do partido, monitorando a lealdade e a deslealdade.
Um sistema de partido único facilitará a adesão popular ao partido, por gerar a sensação de proximidade do poder, e permitirá o monitoramento ideológico de militantes, extendendo-se à sociedade.
A situação da oposição ficará mais complicada. Se antes, quando havia vários partidos governistas ela podia escolher o alvo a ser batido, a partir de agora esse mesmo grupo terá de enfrentar o partido unificado. Quem bater ficará mais exposto ao próprio governo.
Chávez ganha por um lado e perde por outro com a criação do PSUV. Ganha pela centralização de poder; pelo monitoramento das atividades políticas de aliados e inimigos e pela nebulosa mistura entre Estado, governo e partido.
Por outro lado, perderá na capacidade de dividir responsabilidades, utilizar partidos aliados da forma que mais lhe convier (inclusive para ser o bode expiatório quando necessário) e pode gerar incômodo em antigos aliados, que responderão ao líder perdendo os pequenos feudos de poder de outrora.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
2 comentários:
Observamos uma Venezuela cada vez mais distante dos princípios que regem o Mercosul. Diante disso, me pergunto como caminharão as já atravancadas discussões na mesa de negociação do Bloco. O Itamaraty insiste em sustentar a tese de que a postura venezuelana é puramente retórica, o que não condiz com a realidade que se desenha.
Sophia,
Seus comentários são sempre muito pertinentes. O Itamaraty está aparentemente perdido em relação à Venezuela. A confrontação pode prejudicar o governo devido ao alinhamento ideológico da atual política do Itamaraty. A falta de confrontação pode prejudicar o bloco e a suposta liderança regional brasileira.
Estás convidada para escrever um artigo para o blog.
Thiago
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