
Leia abaixo a entrevista concedida por Michael Penfold na cidade da Guatemala durante a Reunião Anual do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Penfold é analista político e professor do IESA (Instituto de Estudos Superiores de Administração), conceituada escola de administração, economia e ciência política da Venezuela:
Arko América Latina: Qual é o alcance do poder econômico de Hugo Chávez, domesticamente e na região latino-americana?
Michael Penfold: Chávez controla além do setor petrolífero do país. As três maiores empresas da Venezuela estão sob o seu controle. No entanto, acredito que ele terá um problema de balanço fiscal nos próximos dois anos. Seus gastos estão em um nível muito alto, pois está consumindo 40% do PIB em gastos diversos. Isto é insustentável.
AAL: Há algum líder que possa estar surgindo dentro do "Chavismo"?
MP: No momento não há nenhum líder surgindo dentro do Chavismo, até porque Chávez controla isso muito de perto. Quando aparece alguém que possa ameaçar sua hegemonia, essa pessoa logo é deslocada para um cargo menos importante.
AAL: Podemos esperar um declínio no poder de Chávez para os próximos anos?
MP: A popularidade Chávez não está tão boa quanto parece. A imagem que se vende é que ela está muito acima do que realmente ocorre. A influência do Presidente na vida das pessoas está muito mais focada na participação econômica do que política. As classes mais baixas estão com Chávez porque estão economicamente "reféns". Politicamente, não há tantos que acreditam no projeto de Hugo Chávez.
AAL: Há a possibilidade da economia venezuelana quebrar no futuro próximo?
MP: A economia quebra se o preço do petróleo cair drasticamente. Como acredito que isso demorará um pouco a acontecer, o risco da economia venezuelana quebrar, assim como ocorreu com a Argentina, ainda é baixo em curto prazo. No entanto, pela irresponsabilidade fiscal do Presidente, isso poderá ocorrer no futuro.
AAL: Como a oposição está se organizando para enfrentar Chávez?
MP: A oposição tem muitas dificuldades em competir. Não existe ajuda de empresas privadas para "profissionalizar" a oposição e os partidos oficiais de oposição não recebem verbas do governo para se manter. Como não há um líder na oposição, até o financiamento externo fica difícil. Não vejo a oposição organizada tão cedo.
(Equipe Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
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