
Insatisfeitos com a vitória eleitoral de Morales, e, principalmente, com a condução que este vem dando ao processo de nacionalização dos hidrocarbonetos, a elite política e econômica da região da planície (províncias de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija) vem consolidando, estruturando e fortalecendo um plano bastante antigo nessa região da Bolívia. O país se divide, basicamente, entre a planície (70% do país) e o altiplano (30%). A população indígena, a mesma que em sua maioria ajudou a eleger Evo Morales, encontra-se principalmente na populosa região do altiplano, região muito fraca em reservas de petróleo e gás natural. A população de origem européia habita primordialmente a planície, tendo Santa Cruz de la Sierra como a principal cidade. Apesar de ter uma população menor, essa região se desenvolveu mais economicamente, principalmente em virtude da grande quantidade de campos de gás e petróleo.
Desde a vitória de Morales, a elite econômica, empresarial e política da “Media Luna”, nome dado às províncias da planície, tenta buscar alguma autonomia para a região. Como, por meio de negociações a região não obteve sucesso em sua busca, o movimento separatista, há algum tempo adormecido, voltou com grande força. Representantes da Media Luna, tentam incluir na nova Constituição emendas que garantam autonomia administrativa, financeira e de negociação de seus principais recursos (leia-se gás natural e petróleo). Assim, com a inclusão desses pontos, a Bolívia funcionaria como uma espécie de República Binacional, tendo o governo de La Paz (principal cidade do altiplano) totalmente dependente da planície.
Este acordo é considerado fora de questão por Morales e sua equipe de governo. No entanto, a Media Luna está tão determinada, que há rumores e informações extra-oficiais de que há milícias de até 15 mil homens prontos para um eventual conflito militar com a capital. Temendo um embate militar, Morales estendeu por mais dois meses o prazo de entrega da nova Constituição, que estava marcado originalmente para agosto deste ano. Com esse prazo, especula-se que Morales possa estar montando um plano B, ou até articulando suas Forças Armadas.
O grande risco gira em torno irredutibilidade dos dois lados em negociar. Para a Media Luna, a autonomia é o mínimo aceito. Morales, preocupado em manter a unidade no país, não abrirá mão de manter o controle sobre as províncias “rebeldes”.
Um ingrediente perigoso nessa disputa política é um acordo militar firmado entre Bolívia e Venezuela em 2006. Nesse acordo, fica prevista uma intervenção armada venezuelana na Bolívia, caso haja algum confronto militar que ponha em risco a governabilidade de Morales e a união do país. Por outro lado, rumores asseguram que a milícia da planície possui bons armamentos, foi treinados pela AUC (Auto defesas Unidas da Colômbia), grupo paramilitar de extrema direita e contam ainda, com ajuda financeira de alguns países.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)
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