
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o homem-forte do Piauí, Heráclito Fortes (DEM), aponta divergências na política externa do governo entre as boas e legítimas intenções de Celso Amorim (ministro das Relações Exteriores) e as orientações ideológicas de Marco Aurélio Garcia (Assessor de Assuntos Internacionais da Presidência).
Segundo o senador, é algo que fica mais evidente na relação frouxa e paternalista que o país mantém com os vizinhos Venezuela e Bolívia. Em entrevista à Arko América Latina, Heráclito defende uma política pragmática, especialmente em um dos momentos mais importantes vividos pelo Brasil, com a geração de fontes alternativas ao combustível fóssil.
ARKO AMÉRICA LATINA: Qual sua avaliação sobre a política externa do governo Lula?
HERÁCLITO FORTES: A política externa brasileira sempre teve um, digamos, padrão de qualidade inquestionável, altamente profissional, qualificada, sob quaisquer governos. Infelizmente, neste governo, temos visto uma política dividida entre o que pensa o Ministério das Relações Exteriores, que é o canal formal desta política, e o Assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. O resultado disso é que, em determinados momentos cruciais, no quel deveria prevalecer a ação diplomática tal qual a entendemos, o fizemos de uma maneira tímida, com o chamado viés ideológico, como no caso da Bolívia.
AAL: O senhor vê alguma viabilidade na parceria que o Brasil tenta fechar com os EUA? O que isso traria para o Brasil e como seu partido percebe os lucros partidários?
HF: Vejo, sim. Diplomacia, para dar resultado, tem que ser pragmática. E isso funciona se for bom para todos os lados envolvidos. O Brasil está tendo agora a grande oportunidade dos últimos 50 anos, que é a possibilidade de geração de fontes alternativas ao combustível fóssil. E ele deve se agarrar a ela com unhas e dentes para não perder este grande momento. E isto vale para a parceria com os Estados Unidos, com a China ou com quem quer que seja. Sobre as relações bilaterais com os Estados Unidos, que vivem um momento muito positivo, é bom que se diga, apesar da estagnação dos números do comércio. É de se lamentar apenas que ainda existam em alguns setores uma certa paranóia anti-americanista, que é prejudicial ao País. Repito: temos que ser pragmáticos.
AAL: Quais problemas o senhor aponta como cruciais na projeção da política brasileira?
HF: O principal deles é a falta de unidade nas diretrizes da política externa. Por mais que se note um esforço do ministro Celso Amorim e parte de sua equipe por uma política moderna, eficaz e correta, há o paralelismo do Palácio do Planalto e do PT, principal causa desta divergência.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)
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