
Para o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), a política externa brasileira precisa deixar de lado a exclusiva promoção de intercâmbio cultural e acordos meramente diplomáticos e partir para uma estratégia mais agressiva na conquista de mercados. Nesta entrevista exclusiva à Arko América Latina, o parlamentar analisa a atuação internacional do Governo Lula, especialmente no continente latino-americano.
ARKO AMÉRICA LATINA: Qual sua avaliação sobre a política externa brasileira?
MOZARILDO CAVALCANTI: Acho positiva. Ela tem avançado bastante, não é unilateral e não tem viés ideológico. Para mim, isso é fundamental.
AAL: Para o senhor existe algum entrave que deve ser superado?
MC: Acho que falta maior agressividade comercial. A nossa diplomacia tem que ser mais comercial e não só a relação puramente diplomática, de intercâmbio cultural ou de outra ordem.
AAL: Qual sua análise sobre o Mercosul? O Brasil tem uma atuação satisfatória?
MC: Acho que o Mercosul avança. É um mecanismo de difícil implantação. São peculiaridades muito diferentes. Ao longo do tempo, como dizem nossos vizinhos, que vivíamos de costas para o outro. Essa política vem mudando e agora se desenha de maneira mais sólida. Há muito obstáculo a se vencer ainda.
AAL: Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Evo Morales (presidente da Bolívia) se consolidam no continente sob a bandeira do socialismo e com discursos favoráveis à nacionalização de empresas importantes para o desenvolvimento econômico. Qual a sua perspectiva sobre a relação do Brasil com esses dois países?
MC: Com relação à Venezuela, não vejo problema algum. Podemos divergir sobre a política interna. No entanto, nisso não podemos interferir. Sobre a Bolívia, o que há é um ajuste interno. Secularmente, muitos países exploravam os recursos da Bolívia de uma forma que era desvantajosa para a nação boliviana. A atitude do Evo Morales demonstra que ele quer tirar um atraso de séculos em curto tempo.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)
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