
Fazia um bom tempo que a América Latina não era tão interessante como agora. Temos loucos, pseudo-ditadores, líderes linha dura, afáveis, bobos, mulheres. Temos de tudo, e mesmo assim, o Brasil não parece se importar muito. Em relação à nossa região político-geográfica, adotamos a mesma postura que os EUA tomam em relação ao mundo. Como país e como povo, adotamos o mesmo comportamento que criticamos ferrenhamente dos nossos colegas dos EUA.
Tudo bem que o argumento que eles são “cucarachas” e nós não pode ter algum sentido. Afinal, não nos sentimos próximos de um equatoriano como eles se sentem de um colombiano, por exemplo.
Hoje na América Latina, vivemos as seguintes situações que podem afetar direta ou indiretamente o Brasil:
Hugo Chávez: O Presidente venezuelano continua o seu projeto de influência no continente. No entanto, Chávez sofreu graves derrotas nos últimos meses. A última delas, certamente foi a postura do Congresso Nacional do Brasil e do Paraguai, referente ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL. Chávez não esperava por esta situação e foi obrigado a rever a volta para a CAN (Comunidade Andina de Nações), onde havia saído alguns meses antes da entrada no MERCOSUL.
Porque é uma ameaça ao Brasil? A projeção de poder de algum líder político na América do Sul que não seja brasileiro, implica em uma ameaça para a nossa hegemonia política no continente. Como o brasileiro não está acostumado a admitir a própria hegemonia e sim criticar a dos outros, nós somos a única força da América do Sul e a principal da América Latina (o México é uma força considerável). A postura de Chávez ameaça diretamente a imagem do Brasil, que pelo seu tamanho e poder tem a obrigação de assumir a condição de líder e não somente ser uma economia gigante porém sem a capacidade de interferir a nosso favor em qualquer país da região. Para isso, o governo brasileiro deve sim disputar a influência regional com o Chávez e ganhar.
Assembléia Constituinte na Bolívia: Isso é um tema delicadíssimo que ninguém no Brasil está dando muita bola. Há alguns meses, eu e Marcelo Suano elaboramos um documento sobre a possibilidade de Guerra Civil na Bolívia a pedido do Senador Cristovam Buarque. O estudo foi apresentado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e continha as informações de que a região da planície ostenta planos concretos de separação. A separação da planície, que engloba as províncias de Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Beni, Tarija e Pando representaria um violento golpe contra a economia boliviana. Cabe lembrar que a maioria do gás natural do país se encontra nessa região. A Assembléia Constituinte, dentro de suas funções de refazer a Constituição do país, se vê diante do dilema de conceder autonomia administrativa e econômica para as províncias “separatistas” mencionadas. Algo que o Presidente Evo Morales considera “inegociável”. Caso esse artigo não seja incluído, há fortes indícios de que o país pode se digladiar politicamente levando á uma Guerra Civil de fortes proporções.
Porque é uma ameaça ao Brasil? Uma Guerra Civil no nosso vizinho já é ruim por si só. Ainda mais quando somos dependentes do gás natural desse país e poderíamos sofrer com a possibilidade de ingresso de aproximadamente 300 mil refugiados para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, o que faria o governo brasileiro? Como nos portaríamos e a que lado apoiaríamos? Há informações de que as organizações separatistas contam com uma milícia armada de 15 mil homens com armas americanas e israelenses que entram via Paraguai.
O nosso isolacionismo esplêndido em relação ao resto da América Latina se deve muito ao nosso sentimento de superioridade em relação aos outros países. A única razão para que acreditamos que os argentinos são realmente os mais arrogantes do continente, se dá pela tentativa desesperada dos hermanos se tentar equiparar o seu país ao nosso. Se levarmos em conta que em Buenos Aires há mais livrarias do que em qualquer lugar do Brasil, que o povo argentino (principalmente o bonaerense) é bem mais culto que o brasileiro, passamos a entender um pouco mais a posição deles. Acredito que os verdadeiros arrogantes do continente, não por culpa, mas por situação, somos nós, os brasileiros. Temos perfeita noção de que o nosso país é disparado o mais poderoso politicamente e economicamente. Temos certeza absoluta que nossas mulheres são as mais bonitas, nosso futebol é comprovadamente o melhor e nosso carnaval é obviamente o mais alegre. Por isso, no entender dos brasileiros, somos o melhor país e isso justifica nossa falta de interesse nos vizinhos.
No entanto, os fatores que avaliamos para nos considerarmos os melhores, são justamente os fatores que nos fazem ser brasileiros e ter orgulho do país: mulheres, futebol e carnaval. Nossa sociedade não é nem próxima de ser participativa nas questões políticas como a sociedade argentina, por exemplo. Nossos hermanos são capazes de se indignar com a política de uma forma mais intensa e mais rápida do que a nossa (apesar de que os recentes escândalos no governo Kirchner não provocaram a ira do povo).
O Brasil, assim como qualquer outro país latino-americano (tirando o Chile, a Costa Rica e atualmente a Colômbia) se apegou ao longo da história da tática do vulcão. Nossa capacidade de planejamento é mínima e aos poucos vamos nos tornando especialistas e apagar o fogo ali e acolá. Esse comportamento uniforme nos aproxima independente deles falarem espanhol e nós português.
Tudo bem que o argumento que eles são “cucarachas” e nós não pode ter algum sentido. Afinal, não nos sentimos próximos de um equatoriano como eles se sentem de um colombiano, por exemplo.
Hoje na América Latina, vivemos as seguintes situações que podem afetar direta ou indiretamente o Brasil:
Hugo Chávez: O Presidente venezuelano continua o seu projeto de influência no continente. No entanto, Chávez sofreu graves derrotas nos últimos meses. A última delas, certamente foi a postura do Congresso Nacional do Brasil e do Paraguai, referente ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL. Chávez não esperava por esta situação e foi obrigado a rever a volta para a CAN (Comunidade Andina de Nações), onde havia saído alguns meses antes da entrada no MERCOSUL.
Porque é uma ameaça ao Brasil? A projeção de poder de algum líder político na América do Sul que não seja brasileiro, implica em uma ameaça para a nossa hegemonia política no continente. Como o brasileiro não está acostumado a admitir a própria hegemonia e sim criticar a dos outros, nós somos a única força da América do Sul e a principal da América Latina (o México é uma força considerável). A postura de Chávez ameaça diretamente a imagem do Brasil, que pelo seu tamanho e poder tem a obrigação de assumir a condição de líder e não somente ser uma economia gigante porém sem a capacidade de interferir a nosso favor em qualquer país da região. Para isso, o governo brasileiro deve sim disputar a influência regional com o Chávez e ganhar.
Assembléia Constituinte na Bolívia: Isso é um tema delicadíssimo que ninguém no Brasil está dando muita bola. Há alguns meses, eu e Marcelo Suano elaboramos um documento sobre a possibilidade de Guerra Civil na Bolívia a pedido do Senador Cristovam Buarque. O estudo foi apresentado na Comissão de Relações Exteriores do Senado e continha as informações de que a região da planície ostenta planos concretos de separação. A separação da planície, que engloba as províncias de Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba, Beni, Tarija e Pando representaria um violento golpe contra a economia boliviana. Cabe lembrar que a maioria do gás natural do país se encontra nessa região. A Assembléia Constituinte, dentro de suas funções de refazer a Constituição do país, se vê diante do dilema de conceder autonomia administrativa e econômica para as províncias “separatistas” mencionadas. Algo que o Presidente Evo Morales considera “inegociável”. Caso esse artigo não seja incluído, há fortes indícios de que o país pode se digladiar politicamente levando á uma Guerra Civil de fortes proporções.
Porque é uma ameaça ao Brasil? Uma Guerra Civil no nosso vizinho já é ruim por si só. Ainda mais quando somos dependentes do gás natural desse país e poderíamos sofrer com a possibilidade de ingresso de aproximadamente 300 mil refugiados para o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse caso, o que faria o governo brasileiro? Como nos portaríamos e a que lado apoiaríamos? Há informações de que as organizações separatistas contam com uma milícia armada de 15 mil homens com armas americanas e israelenses que entram via Paraguai.
O nosso isolacionismo esplêndido em relação ao resto da América Latina se deve muito ao nosso sentimento de superioridade em relação aos outros países. A única razão para que acreditamos que os argentinos são realmente os mais arrogantes do continente, se dá pela tentativa desesperada dos hermanos se tentar equiparar o seu país ao nosso. Se levarmos em conta que em Buenos Aires há mais livrarias do que em qualquer lugar do Brasil, que o povo argentino (principalmente o bonaerense) é bem mais culto que o brasileiro, passamos a entender um pouco mais a posição deles. Acredito que os verdadeiros arrogantes do continente, não por culpa, mas por situação, somos nós, os brasileiros. Temos perfeita noção de que o nosso país é disparado o mais poderoso politicamente e economicamente. Temos certeza absoluta que nossas mulheres são as mais bonitas, nosso futebol é comprovadamente o melhor e nosso carnaval é obviamente o mais alegre. Por isso, no entender dos brasileiros, somos o melhor país e isso justifica nossa falta de interesse nos vizinhos.
No entanto, os fatores que avaliamos para nos considerarmos os melhores, são justamente os fatores que nos fazem ser brasileiros e ter orgulho do país: mulheres, futebol e carnaval. Nossa sociedade não é nem próxima de ser participativa nas questões políticas como a sociedade argentina, por exemplo. Nossos hermanos são capazes de se indignar com a política de uma forma mais intensa e mais rápida do que a nossa (apesar de que os recentes escândalos no governo Kirchner não provocaram a ira do povo).
O Brasil, assim como qualquer outro país latino-americano (tirando o Chile, a Costa Rica e atualmente a Colômbia) se apegou ao longo da história da tática do vulcão. Nossa capacidade de planejamento é mínima e aos poucos vamos nos tornando especialistas e apagar o fogo ali e acolá. Esse comportamento uniforme nos aproxima independente deles falarem espanhol e nós português.
Um comentário:
Achei o comentário sobre o futebol e as mulheres brasileiras preconceituoso. O Brasi não é bom so porque tem mulheres bonitas ou um bom futebol.
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