3 de agosto de 2005

Em Caso de Vitória, Mudanças no Gabinete de Kirchner

Nestor Kirchner já começa a explorar as possibilidades de mudança em seu gabinete no caso de vitória nas urnas em outubro. O presidente argentino, do Partido Justicialista é apontado como favorito para se reeleger e é abarcado a essa condição que ele prepara uma reforma ministerial para iniciar o segundo mandato.


De acordo com o jornal argentino La Nación, as mudanças deverão ser levadas em frente duas ou três semanas após as eleições (23 de outubro) e se iniciarão com mudanças em três ministérios estratégicos: Relações Exteriores, Desenvolvimento Social e Defesa. A possibilidade de uma mudança no Ministério da Economia de Roberto Lavagna ainda não sta descartada. No caso desta mudança, a saída de Lavagna seria para assumir o cargo no Ministério das Relações Exteriores de Rafael Bielsa, que não vem agradando Kirchner devido ao fato das constantes contradições de visões e opiniões que os dois dividem quando o assunto é o Mercosul. Lavagna é mais leal a Kirchner, portanto sua mudança para a Chanceleria seria mais proveitosa para a imagem internacional do presidente Kirchner. Essa lealdade foi comprovada recentemente quando Lavagna que é “afilhado político”de Duhalde, desafeto de Kirchner, abriu mão de apoiar Duhalde na campanha para o governo da Capital Federal para se fixar ao lado de Kirchner.


A grande pergunta na Argentina a respeito da “dança das cadeiras” que Kirchner está patrocinando é sobre quem ficará com o Ministério da Economia. Os cuidados de Kirchner para escolher o nome é enorme para não ameaçar a política de recuperação que seu governo prioriza internamente após a crise econômica. Entre os nomes mais fortes está o do presidente do Banco Central argentino, Martín Redrado. Outros nomes que circulam com certa força são os de Javier Gonzalez Fraga, Mario Blejer e de Felisa Miceli, presidente do Banco da Nação.


Há rumores de que a mudança no Ministério da Economia tenha como finalidade o desmembramento do próprio Ministério. Kirchner nunca escondeu que preferiria que o Ministério da Economia fosse dividido em duas Secretarias. Uma da Fazenda e outra das Finanças.


No caso do Ministério do Desenvolvimento Social, que atualmente é dirigido pela irmão do presidente Kirchner, Alicia Kirchner, a mudança não se dá por uma eventual insatisfação de Kirchner em relação a irmã. O presidente considera o Ministério um dos sucessos domésticos de seu governo onde os avanços feitos no campo social devem ser o diferencial para a sua vitória em outubro. Porém, Alicia deseja se candidatar para o Senado e conta com apoio de Kirchner para tal. A mudança do Ministério para o Senado é bem pensada em tem fundamento, Kirchner atualmente vive um momento conturbado com o Senado. No caso de Alicia conseguir uma cadeira no Senado, Kirchner espera aumentar seu poder de alcance dentro da casa já que Alicia é bastante respeitada entre o Legislativo e poderia ser uma extensão da voz de Kirchner em um ponto tão estratégico do governo que o presidente não possui tanto poder.


Ainda há cerca de noventa dias até o fim das eleições e até lá muita cosa irá acontecer. Todas essas mudanças são suposições afim de promover uma “limpa” antes de iniciar um novo governo. A situação de Lavagna é sem dúvida a mais delicada. O seu comportamento nos próximos 90 dias serão vitais para definir o seu futuro nesse governo. Ficando do lado de Duhalde, Lavagna pode enterrar de vez suas possibilidades de obter uma pasta nesse governo. Ficando a favor de Kirchner, Duhalde se sentirá traído e seu relacionamento com Lavagna terminará.

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