26 de dezembro de 2006

Atividade do lobby gera reflexões na Colômbia

Entre outras coisas, falar em nome do cliente compõe a variedade de atividades exercida por lobistas de todo o mundo. Na América Latina, a condição é um pouco mais envolta de mistério e ações obscuras. A incompreensão sobre a atividade do lobista gera indagações muitas vezes negativas à respeito do termo e abre margem para que pessoas mal intencionadas se utilizem do termo de forma errônea.

Exatamente isso vem preocupando e gerando interessantes debates na Colômbia. Desde o início do segundo governo de Álvaro Uribe, a atividade de lobby no país aumentou de forma surpreendente. Até pouco tempo atrás, poucos indivíduos de laços pessoais com congressistas agiam como influenciadores e intermediadores para mudanças, sugestões e proposições de projetos de lei. O bom controle que Uribe conseguiu ter do governo dificultou o trabalho dos poucos e tradicionais lobistas colombianos e gerou uma revitalização da atividade no país. Várias empresas especializadas no tema foram constituídas e passaram a defender o interesse de seus clientes frente a congressistas. Embora a atividade não seja regulamentada como nos Estados Unidos, o debate em torno desta regulamentação foi iniciado cheio de controvérsias.

Para muitos grupos de pressão que atuam sobre o Congresso colombiano, o lobby institucionalizado poderá beneficiar grupos financeiramente mais fortes em detrimento de grupos e entidades menos favorecidas. A outra questão é a dúvida ética e moral sobre a atividade. Pressupõe-se que a escolha de um congressista por meio do processo democrático, implica uma confiança em suas decisões no momento de votar. Quando o lobby exerce pressão para afetar a opinião de um deputado, acredita-se que fere a escolha que lhe foi atribuída por seus eleitores.

Por outro lado, o estímulo à maior participação de entidades associativas e grupos empresariais no processo democrático e decisório do país, é um sinal de amadurecimento e desenvolvimento democrático em um país. A regulamentação da atividade de lobby poderá gerar uma proliferação de entidades representativas que representem segmentos da sociedade que independentemente não teriam força e poder de interferência. Deve-se levar em conta que muitas destas interferências são benéficas para a melhoria do sistema legislativo do Estado.

A grande dúvida que fica é: na América Latina, onde a corrupção ocupa lugar de destaque como instrumento de demonstração de poder, o lobby institucionalizado ficaria imune? Creio que não, pois a regulamentação deste setor poderia legitimar uma atividade onde grande parte do processo é feito no burburinho e incapaz de ser fiscalizado. Como alternativa, a comunicação e estratégia institucional pode ser mais eficaz e muito mais transparente.

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