25 de dezembro de 2006

O Quadro Político Venezuelano

Após a vitória de Hugo Chávez nas últimas eleições, o quadro político no país mudou bastante em relação ao período pré-eleitoral.

Apesar da significativa vitória com quase sete milhões de votos (63%), a oposição conseguiu sair mais fortalecida do que entrou. Sabiamente, Chávez foi capaz de perceber o avanço organizacional da oposição e adotou a mesma tática. O que temos agora é um quadro partidário mais centralizado e polarizado do que nunca.

O Movimento da Quinta República (MVR), partido chavista que liderou a coligação dos socialistas que apoiavam Chávez durante a campanha, aumentou de poder e “anexou” partidos menores que tiveram votações expressivas durante a campanha.
Inspirado no modelo cubano de partido único centralizador, Chávez criou o Partido Socialista Unido, que é regido praticamente pela antiga direção do MVR.

A necessidade da centralização ocorreu pela forma como a oposição se articulou ao fim do período eleitoral. Manuel Rosales, o candidato derrotado por Chávez, conseguiu quatro milhões de votos (37%) e, mais importante, uma liderança dentro da diversidade de partidos opositores ao modelo chavista.

Se antes do período eleitoral tínhamos onze partidos de oposição, sendo todos de pequeno ou médio porte e divergentes entre si, agora com Rosales o quadro mudará com a solidificação do partido Um Novo Tempo (UNT).

Hoje, o quadro partidário oposicionista é composto de três partidos (UNT, Partido Justicialista e Copei) sendo que a aproximação entre eles tende a se estreitar. Julio Borges, grande amigo e aliado de Manuel Rosales, poderá ser eleito presidente do PJ agora, em janeiro, abrindo caminho para uma unificação do UNT com o PJ.

Neste cenário, a possibilidade de atrair votos além da esfera da classe média e classe média alta (principal reduto de opositores a Chávez) aumenta, já que o discurso passa a ser uniforme e, pela estrutura das propostas, de longo alcance.

A estratégia do UNT com seus aliados tem por objetivo um referendo em fevereiro de 2010, o qual poderia derrubar Chávez do poder.
Para tanto, será necessário que 20% dos eleitores peçam o referendo, meta que não é difícil de ser alcançada se considerarmos a boa votação de Rosales.

No entanto, Chávez não está assistindo passivamente a organização de seus opositores. Sua política assistencialista deverá aumentar consideravelmente no próximo mandato.
O projeto, Socialismo para o século 21, visa colocar gradativamente toda a economia venezuelana sob o guarda-chuva estatal, garantindo maior acesso às classes mais baixas do país.

Também podemos aguardar uma maior militarização das instituições governamentais. Os membros do "Movimento Revolucionário Bolivariano 200", movimento que, com a participação de Chávez, tentou o golpe de estado em 1992, estão mais presente do que nunca na cúpula do governo.

Os principais assessores e amigos de Chávez são deste círculo e pressionam o presidente cada vez mais por cargos de alto escalão.

Devemos ficar atentos aos próximos eventos: nomeação de gabinete, conteúdo da Reforma Constitucional e as leis que afetam a iniciativa privada. No desenrolar deste processo teremos o fortlecimeto de Chávez ou da oposição.

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