
Publicado originalmente na Agência Estado, de autoria da Equipe Arko América Latina (Marcelo Suano, Thiago de Aragão e Carlos Eduardo Bellini)
Situação Política e Econômica
A situação interna continua instável. Em Cochabamba houve combate entre camponeses cocaleros, partidários do MAS (Movimento al Socialismo), e os seguidores do prefeito Manfred Reyes Villa, denominados “jovens pela democracia”, produzindo duas mortes, além de cento e vinte e três feridos.
Passados alguns dias, a situação foi normalizada, mas não se chegou a bom termo, ficando a expectativa de que recomecem os confrontos a qualquer momento em outra região.
A questão da Constituinte não foi resolvida. Constantemente surgem novas propostas acerca do artigo 70, que trata da votação para alteração dos artigos constitucionais. A mais recente, apresentada pelo MAS, estabelece que a Constituição (novo texto constitucional) poderá ser aprovada por 2/3 dos parlamentares nas fase dos detalhes, mantendo o critério da maioria absoluta nas fases maiores e na revisão.
Isso já havia sido rejeitado pelos partidos oposicionistas. Com essa iniciativa fica nítida a estratégia do governo de enfrentamento. Assim, estão anunciados novos confrontos para o futuro, principalmente devido ao fato de o a oposição ter conseguido à presidência do Senado, podendo barrar as propostas do Executivo, além de também ter conseguido o controle na maioria das Comissões, nessa Casa.
A situação econômica continua trazendo fôlego ao presidente. Recentemente, o governo conseguiu um empréstimo de 420 milhões de dólares do BID e Morales anunciou que, no segundo ano, priorizará o combate à pobreza e a geração de empregos, com isso garantirá o apoio dos grupos mais pobres e dos segmentos indígenas.
Ameaças Internas
O problema na Média Luna (região composta pelas quatro regiões que querem autonomia, mais Cochabamba) está parado. Os debates ainda estão na Constituinte, mas a violência que ocorreu em janeiro demonstrou que o problema tenderá a piorar, principalmente pelo fato de o presidente estar buscando alternativas populistas para a crise política. Deseja criar um mecanismo de afastamento dos políticos eleitos por meio de referendo popular. A medida tenderá a radicalizar as posições e levará ao choque. O governo tem agora que enfrentar a oposição na liderança do Senado e nas Comissões.
Ameaças Externas
As questões externas que tinham se acalmado voltaram à tona com dois problemas:
1. as afrontas lançadas contra Álvaro Uribe, presidente colombiano, no Rio de Janeiro no momento em que criticou a sua aproximação com os EUA;
2. e o novo contencioso com o Brasil, surgido após a anúncio do governo brasileiro de que irá construir duas usinas hidrelétricas no rio Madeira. O governo boliviano não quer permitir a construção até que estudos provem que não haverá danos ambientais para a Bolívia. O Brasil, por sua vez, anunciou que irá construir as hidrelétricas, apesar das reclamações bolivianas.
Prognósticos
O momento de calmaria passou e novas tempestades se anunciam. No Congresso o presidente terá de usar recursos mais duros para conseguir passar propostas. Dificilmente as questões não seguirão para as ruas com enfrentamentos entre os grupos pró-governo e pró-oposição. A tendência é de que o debate volte a aquecer. Na política externa, o presidente está negociando com o Chile os problemas fronteiriços.
O país vizinho anunciou que está retirando as minas terrestres que estão na fronteira. Com o Peru o país está retomando a questão do mar territorial. Ensaia uma aproximação com Alan Garcia para verificar como poderia convencer o Chile a retomar as negociações. Dificilmente o problema será debatido em fevereiro.
Com o Brasil as coisas vão esquentar. O presidente voltou a exigir aumento do preço do gás e está ameaçando ir aos organismos internacionais para impedir que o Brasil construa as hidrelétricas. Dificilmente os brasileiros cederão às exigências bolivianas
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