25 de março de 2007

Reunião do BID: O que ocorre nos bastidores?


Publicada originalmente em 20 de março de 2007 no sistema Broadcast da Agência Estado


* Direto da Cidade da Guatemala


Em eventos como do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), as conversas de bastidores valem tanto ou mais que os dados oficiais divulgados nos seminários. É comum participar de discussões informais e, minutos depois, perceber que o colega do lado é o ministro da Economia e das Finanças do Peru, Luiz Carranza Ugarte, ou qualquer outra autoridade de alguma nação da América Central ou do Sul.


Desses encontros fortuitos despontaram os seguintes rumores:


- A economia venezuelana poderá quebrar nos próximos quatro ou cinco anos por conta do forte descontrole fiscal do governo nos últimos anos. Os gastos estão muito maiores do que a arrecadação; não há diversificação de fonte de renda do governo e a fragilidade técnica da PDVSA (Petróleos de Venezuela Sociedade Anônima) prejudicará a extração de petróleo nos próximos dois anos.


- É quase consenso entre os participantes do evento que o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) não trará grandes benefícios para o crescimento econômico brasileiro. Muitos acreditam que a simples realocação de recursos não promoverá um crescimento sustentável e, caso ocorra um pequeno aumento no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), será pela reação natural da forte entrada de dinheiro público em alguns setores.


- A América Latina só conseguirá crescer com um investimento maciço em infra-estrutura. Analistas e economistas concordam que para que o continente consiga atingir um crescimento econômico sustentável, necessitará de investimentos de até US$ 100 bilhões em infra-estrutura.


- A política econômica do Presidente argentino Néstor Kirchner fracassará. Espera-se que o forte controle de preços que o governo argentino exerce em setores estratégicos da economia (como o agropecuário) resultará em uma possível crise. A inflação do país é mantida de forma artificial. No momento em que o presidente largar o controle de preços, a inflação aumentará rapidamente e o mercado externo voltará a ser prioritário em prejuízo aos produtores argentinos.


- Lula (Presidente do Brasil) deverá perder muito poder político dentro do Mercosul. A entrada da Venezuela no bloco servirá de vitrine para o Presidente venezuelano Hugo Chávez. Com um apelo popular mais forte que o de Lula e disposto a realizar investimentos em outros países, o presidente venezuelano será a cara do Mercosul. Como Lula tem restrições a Hugo Chávez, o envolvimento político do Brasil no Mercosul poderá diminuir.


(Equipe Arko America Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)

Um comentário:

Anônimo disse...

Thiago,
Acho muito interessante as informações referente a América Latina que nos passa continue fazendo o melhor !!!

Thais de Assis
Porto Alegre