
Em entrevista concedida a BBC Brasil, a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, afirmou que o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem um papel especial como líder global. Segundo ela, por meio de seu potencial, ele pode "ajudar a promover a até mesmo salvar a rodada de Doha".
Para Schwab, "a liderança de Lula junto aos países em desenvolvimento poderá contribuir para que os parceiros brasileiros e americanos abram seus mercados e revejam supostas posições protecionistas". Ela qualificou a reunião do último sábado entre George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva como "excelente".
Em relação à rodada de Doha, ela afirmou: "os EUA não esperam que o Brasil haja primeiro. E acredito que o Brasil não espera o mesmo dos EUA. Temos de atuar juntos para que, quando estivemos perto de um avanço, todos possam colocar suas cartas na mesa, como diz que o presidente Lula, de forma simultânea, para que não haja surpresas".
A declaração da representante comercial dos EUA dá indícios de que os norte-americanos têm interesse em estimular Lula a ser pró-ativo com o objetivo de neutralizar o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Por isso, Schwab declarou que os EUA e o Brasil precisam atuar de maneira conjunta, não somente na Rodada de Doha, mas também dentro da América Latina. Como os norte-americanos estão desgastados em função da guerra do Iraque, eles querem aproveitar o pragmatismo de Lula para que ele assuma a condição de líder anti-Chávez. Mas esse mesmo pragmatismo irá dificultar a concretização da intenção norte-americana.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)
Um comentário:
Schwab vem reforçando o discurso de liderança do Brasil no G-20 de modo a utilizar o país como ponte de negociação com a Índia, ainda intransigente em relação aos subsídios agrícolas (impasses como este vêm sendo negociados por meio das reuniões "bilaterais silenciosas" que incluem também a UE, que continua inflexível).
No entanto, creio que o estímulo à liderança brasileira não venha constituir uma força "anti-chávez". Talvez seja mais uma tentativa de neutralizar a influência do discurso chavista na AL, uma vez que uma postura de embate pode depor contra o futuro do Mercosul.
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