18 de junho de 2007

As coisas não vão bem para a "esquerda" do continente


A Venezuela vive uma situação nova para Hugo Chávez. O descontentamento popular está aumentando de forma alarmante para o governo. A economia está crescendo, mas com medidas que tendem a esgotar cada vez mais o país e trazendo descontentamentos também maiores. Entre maio de 2006 e maio de 2007, o preço médio dos alimentos subiu 30%. Algo que tem afetado fortemente os bolsos dos venezuelanos de classe média baixa e classe baixa, a principal base de apoio de Hugo Chávez. Devido a isso, o radicalismo do Presidente apresenta sinais de moderação, da mesma forma que o governo está reduzindo seus discursos agressivos na política externa e está cedendo para uma postura mais negociadora. É um comportamento benéfico para o Brasil, que poderá intensificar sua política externa no continente.


Um ponto importante na semana que entra, será o prosseguimento do acordo de cooperação contra o narcotráfico que a Venezuela está costurando com a Alemanha, pois a intenção de Chávez é abrir a possibilidade de novos acordos que resultem em novos mercados e dividendos para o seu país e benéficos para o governo. Chávez necessita se recuperar dos abalos que suas medidas autoritárias trouxeram e sabe que a Europa é um bom caminho para isso, uma vez que ainda não se indispôs com os europeus. Outro ponto relevante e bastante simbólico de que precisa amenizar sua postura para sobreviver, é a viagem que Hugo Chávez fará à Colômbia, visitando o colega, vizinho e rival Álvaro Uribe. Sendo o principal parceiro dos EUA na América do Sul e antagonista direto do chavismo, Uribe pode obter sucesso na tarefa de convencer o venezuelano a recolocar seu país na Comunidade Andina de Nações (CAN). Além deste tema, que será tratado de forma discreta, ambos discutirão o combate ao narcotráfico na fronteira entre os dois países, bem como possíveis acordos comerciais que visem ampliar as importações e exportações. A visita está agendada para o dia 23 de junho e terá suas arestas aparadas na próxima semana.


A sensação que começa surgir na América Latina é de que o momento não é mais favorável para os países que fazem parte do grupo “esquerdista” do continente. A Venezuela, principal reduto, passa por grave descontentamento popular gerado por medidas autoritárias que tem trazido medo, até mesmo à base de apoio do governo. Por isso, o discurso chavista vem perdendo a força dentro do país, onde a população começa a exigir resultados práticos e menos discursos populistas. O Equador segue na mesma linha. No entanto, sem um “socialismo” tão estabelecido como na Venezuela, Correa precisa apelar para medidas radicais como a convocação do plebiscito e ameaças, como a renúncia, para não perder o paoio. Sua força está nas ruas e não no Congresso ou nos meios de comunicação. Logo, as manifestações pró-Correa deverão se intensificar nas próximas semanas, gerando um clima conturbado em Quito.

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