
Continuação da entrevista com o Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI).
ARKO AMÉRICA LATINA: Em que sentido a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado pode contribuir para a projeção do Brasil? E quais são as principais orientações da comissão?
HERÁCLITO FORTES: A CRE tem cumprido o seu papel na discussão e acompanhamento dos principais temas da agenda internacional do País: problemas na fronteira, a questão do aquecimento global, as relações com os Estados Unidos e com nossos vizinhos... Agora mesmo, temos nos posicionado contra as atitudes anti-democráticas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e nos últimos episódios com a Bolívia. Temos também cuidado de limpar nossa pauta, para que tratados e acordos internacionais não fiquem dormindo nas gavetas da Comissão e permitam ao Executivo fazer também a sua parte. Além disso, temos trabalhado para aprofundar a chamada diplomacia parlamentar, com organismos como o Parlamento do Mercosul e em encontros bilaterais.
AAL: Hoje, o Brasil administra relações aparentemente tensas com dois países vizinhos: Venezuela e Bolívia. Para o senhor, a forma como o país vem conduzindo essas relações é adequada ou deveria partir para uma política mais ofensiva?
HF: É uma política frouxa, paternalista e sem os cuidados formais que exigem o relacionamento entre Nações. Aproveito a pergunta para alertar para alguns procedimentos diplomáticos que eu chamaria de aloprados, que estão sendo adotados de maneira ideológica por militantes petistas com relação a países latino-americanos, mas sobretudo na América Central. Isto é uma inversão de hierarquia e uma subversão de valores que costumam não dar certo.
AAL: Fala-se muito que Hugo Chávez tenta ser o líder do continente. Que efeitos para imagem do Brasil traria algo como isso?
HF: Hugo Chávez só seria o líder do continente se voltássemos algumas décadas na nossa história, em que, lamentavelmente, éramos dominados por ditaduras. Este quadro dificilmente se dará num ambiente democrático, que não é o perfil do líder venezuelano. O Brasil, sim, é o líder natural do continente, uma posição construída ao longo da história, sem grandes antagonismos, sem hegemonismos. Estamos perdendo terreno, mas acredito que não é irreversível.
(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)
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