
Por Rosendo Fraga, analista político argentino
O triunfo da administração Kirchner no Chaco e a vitória em Chubut não modificam o fato de que as eleições provinciais foram difíceis para o governo.
Na eleição no Chaco, a única das seis províncias governadas pelo radicalismo que não está com o governo, houve um surpreendente êxito do candidato de Kirchner, Jorge Capitanich. Enquanto que no Chubut foi reeleito o justicialista (PJ) Mario Das Neves, que é bastante alinhado com o presidente.
De 24 distritos, 14 – que representam aproximadamente a metade do padrão eleitoral nacional – já elegeram seus governadores. Os candidatos alinhados com Nestor Kirchner ganharam em mais da metade: Catamarca, Rio Negro, Entre Rios, San Juan, Tucuman, La Rioja, Chaco e Chubut. Os dois primeiros são radicais pró Kirchner e os outros seis são, assim como Kirchner, justicialistas. O presidente foi derrotado em cinco distritos: Capital, Santa Fé, Terra do Fogo, Neuquen e São Luis. Em Córdoba, apesar de não ter sido derrotado eleitoralmente, Kirchner foi derrotado politicamente, já que uma denúncia de fraude gerou um importante custo político.
As diferentes estratégias para a eleição presidencial de quem derrotou Kirchner mostram a clara divisão nacional da oposição.
Na capital, o prefeito Mauricio Macri, apóia Ricardo López Murphy para presidente, ao passo que na província de Buenos Aires o seu candidato é um governador contrário a Murphy. Já no resto do país, Macri não apóia ninguém.
Em Santa Fé, Hermes Binner respalda, a princípio, a dupla Carrió-Giustanini (esquerda); Em São Luís, o vencedor Alberto Rodriguez Saá apóia sua própria candidatura para presidente por uma facção dissidente dos peronistas. Em Neuquen, o vencedor Jorge Sobisch também sustenta sua própria candidatura presidencial e na Terra do Fogo, Fabiana Rios, a vencedora, apóia a esquerdista Elisa Carrió.
Esta diversidade de estratégias nacionais são uma boa amostra de como a divisão da oposição é uma relevante vantagem do governo. Se nesses cinco distritos os ganhadores apoiassem uma mesma alternativa presidencial, poderíamos ter hoje uma eleição mais acirrada entre forças equivalentes.
Das oito províncias que elegem um governador no dia 28 de outubro, Buenos Aires e Santa Cruz são as mais relevantes politicamente. A primeira constitui 40% dos votos efetivos no país. O município de La Matanza, por exemplo, equivale em votos às províncias de Terra do Fogo, Santa Cruz, La Pampa, São Luis, Catamarca e La Rioja juntas. Na província de Buenos Aires, o candidato do governo Daniel Scioli tem uma vantagem importante, dada a divisão da oposição.
Em Santa Cruz, pela primeira vez em 16 anos, o Kirchnerismo corre certo risco de perder, devido à crise que a província vive e à aparição de um opositor com personalidade, Eduardo Costa. Este distrito adquire importância política por ser o dos Kirchner.
Nas províncias restantes, os comícios mostram certa diversidade. Em Jujuy, La Pampa e Formosa, deverão ser reeleitos os atuais governadores que são justicialistas e apóiam o presidente. Em Salta, deverá ganhar o candidato que apóia o atual governador Juan Carlos Romero, que está formalmente com Kirchner, mas é um crítico de várias medidas políticas do presidente. Em Mendoza, o candidato do governador Julio Cobos, radical (mas apóia Kirchner) pode vir a perder a eleição. Nas Missões, também pode ser derrotado o candidato do governador Carlos Rovira, que apóia o presidente. Nas duas províncias restantes (Santiago e Corrientes), governadas por radicais que apóiam Kirchner, não há eleições para governador.
(Arko América Latina – americalatina@arkoadvice.com.br)
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