7 de junho de 2005

A Busca Brasileira pela hegemonia continental

As recentes (e não tão recentes) discussões e atritos entre o governo brasileiro e o governo argentino, a divergência sobre o apoio ao uruguaio Carlos Pérez Del Castillo para a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC); a oferta de asilo político ao ex-presidente equatoriano Lúcio Gutierrez; a parceria inabalada com o presidente venezuelano Hugo Chávez além do princípio de animosidade com o governo paraguaio referente aos brasileiros que trabalham na fronteira são apenas alguns dos fatos que colidem com a estratégia brasileira de hegemonia sul-americana e um papel de liderança no qual o continente aceite de forma uniforme a posição brasileira.


A política brasileira de estratégia de liderança internacional sofre periodicamente um revés, graças aos fatos correntes da geopolítica e não graças a um complô para frear nossas intenções de liderança. Algumas estratégias conflitantes em relação ao comportamento com a Venezuela, Estados Unidos e Argentina, demonstram um foco muito amplo e conflitante para uma ambição tão definida. A liderança que o Brasil quer e deve exercer em toda a região, deve ser congruente entre economia e política e não só em um ou no outro. A liderança é uma escolha natural entre os liderados no qual as ações brasileiras devam não só ser personalizada com cada país, mas também não deva entrar em conflito com políticas que envolvem outros países da região. Claro, a não ser que seja devidamente alinhada e óbvia dentro de uma estratégia de atuação do Brasil.


O que levamos a crer é que uma boa oportunidade de obter apoio geral na região para se conseguir alguns objetivos da nossa política externa (como a presidência da OMC ou um apoio uniforme ao Conselho de Segurança), foi perdido e parece cada vez mais longínquo. A OMC foi perdida e qualquer atitude do governo agora terá a mancha de não ter dado apoio nenhum antes. A Argentina já iniciou um lobby bem estruturado para que no caso de haver uma reforma na ONU, que seja rotatória o Conselho de Segurança por região, algo que afunda todas as ambições do Brasil de uma cadeira permanente. Os recentes abraços na Venezuela não só prejudicam dia a dia as relações com a Colômbia como gera uma incerteza na comunidade internacional sobre a seriedade do Brasil de liderar aparte de ideologias.


O que o ambiente atual indica é uma falta de coordenação, assim como acontece domesticamente, nas relações internacionais do país. Temos um ministro da Casa Civil viajando para a Venezuela para negociar pontos políticos ao mesmo tempo em que temos o ministro das Relações Exteriores falando sobre economia. A falta de coordenação parece geral e tem dado a impressão para as nações do mundo de que somos um país que atira para qualquer lado em busca de conseguir ao menos alguma coisa. Não importando quem possa sair prejudicado na história.

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