8 de junho de 2005

O Conselho de Segurança e o Balanço de Poderes

A cada dia que se passa às chances do Brasil de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança na ONU parece mais remotas. A tendência de um fracasso no Haiti; a contraditória política externa continental que não se define entre necessidade e ideologia além de problemas domésticos de imagem de credibilidade, minam a cada dia as chances brasileiras de atingir a obsessiva meta de integrar o Conselho de Segurança.

Não é de se espantas que países como México, Argentina, Colômbia, Nicarágua e China se opõem de foram contundente o ingresso brasileiro. Isso sem contar em outros países latino-americanos que não são simpatizantes da cruzada brasileira. O Brasil, não conseguiu conquistar o apoio nem em sua própria região devido à imposição agressiva de liderança e não a conquista gradual desta.

Os outros países do G-4 (Brasil, Alemanha, Japão e Índia – países que buscam o assento permanente) enfrentam dificuldades grandes devido a movimentos de oposição liderados por países rivais. Como a vontade da mudança parte dos excluídos e do secretário-geral e não dos países membros do Conselho de Segurança, a “reforma” pode ser do nível das reformas ministeriais de nosso país. Ou seja, muito alarde, meses de negociações e concessões intensas para produzir uma mudança imperceptível. O Conselho nasceu errado, entregou o bolo na mão de cinco países (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) que detém o direito de rejeitar a divisão desse, logo, por que esses cinco membros permanentes vão querer países “intrusos” e rivais em seu clube privado?

O Brasil mostrou um louvável empenho nessa busca. Foram enviados cerca de 50 diplomatas para visitar 50 países diferentes para pedir votos na Assembléia Geral da ONU. Além disso, arrisca diariamente a vida de nossos soldados no Haiti e da imagem do país como líder continental. Se demonstrasse o mesmo empenho e vontade internamente, com certeza o governo estaria mais bem cotado do que está.

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