Foi decidido durante a última reunião de cúpula do Mercosul a estratégia de parcerias que o bloco seguirá nos próximos meses. Foi acordado que as prioridades de negociações serão dadas a União Européia, Estados Unidos, Canadá, Índia e África do Sul.
Apesar das dificuldades nas negociações com a União Européia, que se encontram paralisadas, o Mercosul definiu como estrategicamente vital que o bloco retome as negociações. A ausência da China entre as prioridades do bloco é perfeitamente compreensível devido ao posicionamento que o Paraguai detém com Taiwan. A ilha, considerada pelos chineses como uma província rebelde, está entre os três principais parceiros comerciais do Paraguai.
Isso impossibilita o avanço das negociações do bloco com a China, que não aceita negociar enquanto o Paraguai não cortar seu relacionamento comercial e político com Taiwan. Quem ganha com esse entrave criado pelo próprio Mercosul é o Chile que aumenta sistematicamente seu comércio bilateral com os chineses.
A presença do Canadá, Índia e África do Sul entre parceiros relevantes não causam surpresas. Porém a ausência do México e da Rússia representa uma quebra na estratégia da política externa brasileira que propõe desenvolver as negociações do bloco com países membros do BRIC (Rússia, Índia e China). O México que ainda se encontra comercial e politicamente muito distante do Mercosul não demonstra tanto interesse em desenvolver seu potencial comercial com o bloco. A Rússia por outro lado, não representa um aliado importante ao Mercosul, mas está muito bem alinhado com a Argentina, o que representa uma preocupação para as exportações de carne bovina e suína do Brasil para aquele país.
É importante ressaltar que o Mercosul está começando a mostrar um interesse em corrigir um defeito estrutural profundo que possui: a falta de um discurso único entre todos os membros e uma agenda estratégica definida e autorizada por todos. Mesmo com o impasse com a China, causado pelo Paraguai e a ausência da Rússia entre as prioridades, o Mercosul definiu uma linha a seguir, o que já se trata de um grande avanço em termos estratégicos. Resta esperar se as estratégias de negociações com a União Européia serão bem executadas e se os avanços comerciais com a África do Sul e com a Índia deixarão de ser conversa de bar e atingirão o real potencial que possuem.
12 de julho de 2005
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