12 de julho de 2005

O Início da Corrida Presidencial Boliviana

Após muitos meses no holofote em razão da grave crise política em que vivia, a Bolívia passa a chamar atenção pelo início da corrida presidencial. As eleições marcadas para dezembro deste ano contam atualmente com três candidatos de perfis bem diferentes um dos outros. Cada um dos candidatos representa uma linha política facilmente identificada. Evo Morales, líder cocalero boliviano que desde a queda de Sanchez de Lozada se tornou conhecido em toda a América do Sul, é o representante da esquerda e dos campesinos. Morales, que conta com o apoio incondicional do presidente venezuelano Hugo Chávez, detém o apoio das camadas mais pobres da população boliviana e dos indígenas, que quase em sua totalidade compõem o quadro dos mais pobres bolivianos. Existem fortes indícios que o governo venezuelano apóie Morales financeiramente e esteja por trás de sua ascensão, apesar de não haver provas concretas dessas ações.

O segundo candidato é Jorge Quiroga, ex presidente do país entre 2001 e 2002, bastante conservador e representante do centro. Quiroga é bem visto pelos Estados Unidos, local onde fez sua formação acadêmica.

Samuel Doria-Medina surge como uma alternativa ao meio empresarial que não possui boas lembranças com Quiroga e não apoiam de forma alguma a candidatura de Morales. Doria-Medina é um social democrata, que integra a novíssima aliança feita entre partidos de centro-direita, a Unidad Nacional.

O que se apresentou nas primeiras manifestações dos candidatos é que Doria-Medina e Jorge Quiroga, que foram colegas de gabinete no governo de Jaime Paz Zamora (1989-1993) investirão em ataques a Evo Morales para depois, perto das eleições, travarem uma batalha entre si.

Ainda é cedo para dizer quem é o favorito, mas ao que tudo indica, a escolha conjunta de Quiroga e Medina de atacarem Evo Morales, mostra que a grande preocupação é com o líder cocalero. Este, que possui um grande poder de fogo devido a assessoria que recebe direto de Caracas.

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