A Arko América Latina realizou uma entrevista exclusiva com o ex-Ministro das Relações e Exteriores e embaixador Luiz Felipe Lampréia sobre a conduta do Itamaraty em alguns temas específicos e sobre a condução geral da política externa brasileira no governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Segue a segunda parte da entrevista:
AAL: Senhor Ministro, como a globalização deve ser encarada e incorporada por um país que tem as dimensões econômicas e as desigualdades como as nossas?
Lampréia: Penso que o Brasil é dos países mais bem situados para beneficiar-se da globalização.O nosso desafio consiste em modernizar sempre mais nossa economia,a exemplo do que ocorreu espetacularmente com a agroindústria nos últimos vinte anos , e enfatizar a educação.
AAL: Senhor Ministro, hoje, o centro estratégico da América do Sul migrou para a Venezuela. Qual deveria ser a política externa brasileira para o continente e especialmente para a América do Sul, levando-se em conta a questão Hugo Chavez e a projeção de poder venezuelana?
Lampréia: Não creio que o centro estratégico da América do Sul tenha migrado para a Venezuela.Existe um ativismo da parte de Chavez ,que por vezes tem um efeito de bumerangue ,como se viu em diversos países.
O Brasil não precisa disputar uma liderança regional com a Venezuela, mesmo por que o protagonismo de Chavez funda-se numa conjuntura de preços altos de petróleo que não vai durar para sempre.
O papel que nos cabe é o de utilizar a amplitude de nosso mercado para promover a integração comercial,energética e de infra-estrutura da América do Sul, de modo que se criem situações duradouras e vantajosas para todos.
AAL: Senhor Ministro, o senhor já havia manifestado que o processo de
integração deve ser sempre considerada como forma de melhor incorporar
os efeitos da globalização, uma vez que dá maior capacidade de barganha para o poder nacional. Como o senhor concebe um processo de integração na América do Sul levando-se em conta que já temos, o projeto ALCA, o projeto ALBA, o MERCOSUL, dentre outros?
Lampréia: Creio que apenas um Mercosul revigorado pode constituir a plataforma central da integração regional.A ALCA não é mais uma alternativa realista ,especialmente depois da vitória dos democratas nas eleições parlamentares americanas.A ALBA é apenas um exercício ideológico. É preciso notar que ,de todo modo, seja pela expansão das trocas, seja pelo investimento direto entre países latino-americanos, ou pela ação das empresas multinacionais, a integração comercial já vai ocorrendo velozmente, como atestam as cifras do intercâmbio.
Um comentário:
Thiago.... estou com um pqueno problema.. qual foi o fator economico responsavel pelo poder geopolítico de Hugo Chavez na América do Sul?
obrigado
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