6 de julho de 2007

ARGENTINA: O que levou a ser Cristina e não Nestor?




Dando continuidade ao acompanhamento das eleições argentinas, a equipe Arko América Latina elaborou uma análise mais aprofundada a respeito dos motivos que levaram o presidente Néstor Kirchner a desistir de concorrer à reeleição cedendo espaço para senadora e primeira-dama, Cristina Kirchner.



Na estratégia do kirchnerismo não pode ser desconsiderado os efeitos da ampla vitória que Mauricio Macri conquistou para a prefeitura autônoma de Buenos Aires. Essa, mostrou que o eleitor argentino "comprou uma nova proposta", na medida em que, rejeitou Telerman (atual prefeito) e não gostou da campanha negativa que Filmus realizou no segundo turno. Isso ocorreu, pois para a maioria do eleitor ( que não gosta de política), quanto menos agressiva for a campanha, mais simpática ela será. Atento a isso, Macri fez uma campanha propositiva, "conquistando o eleitor argentino" com propostas, evitando criticas. Isso lhe deu uma vitória com larga margem (20% de diferença), fato que assustou o kirchnerismo.



Dessa forma, caso Néstor Kirchner apresentasse a reeleição, ele seria um candidato "velho que tentaria ser vendido como novo", por isso a escolha por Cristina Kirchner. Uma prova disso é o slogan: "Cristina, a mudança apenas começa" e a declaração do ministro do Interior, Aníbal Fernandez, dizendo que "ela significa a atualização das medidas políticas e econômicas".



Isso é um indicativo de que as pesquisas internas do governo mostraram que a candidatura do presidente Néstor Kirchner possui "teto" e estava "cansada". Isso ocorre, pois melhor que seja o governo, ele sempre sofre algum desgaste.



Com Cristina de candidata, ela pode ser apresentada como "mudança", carregando o "bônus" da política econômica do governo Kirchner e escapando do rótulo do continuísmo. Além disso, uma parcela dos eleitores não conhecem totalmente ela, o que fará ela crescer mais (hoje,Cristina tem 46% de intenção de voto e Néstor Kirchner 50%). Isso dificilmente ocorreria com Kirchner (que 99% dos argentinos conhecem), podendo criar um espaço para uma candidatura de oposição crescer.



Também não pode ser desprezada a tendência de ascensão na política de mulheres em todo o mundo. Além disso, a Argentina tem o histórico de Evita, o que soma pontos para Cristina, mesmo que sejam personalidades políticas diferentes.



Com isso, teremos o seguinte quadro eleitoral na Argentina:



1)Cristina como a candidata da "mudança" com o governo do marido nas costas;



2)A oposição tentando ligar ela às coisas ruins do governo;



Porém, ao que tudo indica, ela escapará dessa ligação por ser "outra candidata", ou seja, não é o presidente que está disputando o cargo novamente, e principalmente, porque terá a política econômica do marido para defender, deixando a oposição com poucas propostas alternativas para apresentar ao eleitorado.



Essa tendência dificilmente mudará, pois o eleitor tem algo concreto a seus olhos (a política econômica) e terá receio em mudar por algo "duvidoso" (as proposta que serão apresentas pela oposição).



(Equipe Arko América Latina- americalatina@arkoadvice.com.br)

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